Onde Tudo é Nada... E o Nada é Tudo
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
FREEPORT

 

Olá a Todos. O casadegentedoida, na continuação das grandes entrevistas até ao momento apresentadas, tinha agendado para publicação uma grande entrevista com o nosso PM e a lider da Oposição, mas devido a polêmica do caso FREEPORT e atendendo as investigações  do PGR sobre o assunto , fica adiada a publicação da mesma. 

Adiante publicamos antecipadamente uma outra entrevista que estava agendada. Pedimos desculpa pelo incomodo a Todos. Obrigado.

A Crise e os Despedimentos"

Apresentamos hoje uma entrevista efectuada a duas pessoas ligadas, uma ao sector industrial, outra faz parte do sindicato respectivo. Não vamos aqui mencionar nomes a pedido dos mesmos. Assim o Industrial será referenciado com "Patrão" e outro com o do "Sindicato".

O Que Acham da Crise Actual? Há Responsáveis? Quem?

Patrão:- Na minha opinião a crise actual é o resultado duma manipulação dos mercados bolsistas, mercados esses que são fortemente influenciados por meia duzia de indivíduos que detêm o poder de influenciar a favor deles próprios os mercados. Existe quem ganhe fortunas com a crise actual mas nós os, pequenos  empresários, temos que andar a reboque se quisermos sobreviver. Claro que também nos custa estar a depedir trabalhadores mas temos de apresentar lucros e uma maneira rapida é cortar nos custos. Esses custos passam por reduzir pessoal já que não podemos aumentar os preços dos nossos produtos, não havendo dinheiro para os comprar para que aumentar. Os responsaveis são muitos, será aqui dificil identificar os prevaricadores mas na minha opinião são os maus gestores, os maus economistas (quer dizer maus para nós pois eles encheram bem os bolsos e não só, sabe-se lá onde foram parar esses milhões), os maus gerentes e directores. Não houve controlo dos negócios, as entidades que deveriam ser as reguladoras e controladoras, onde é que estavam? o que faziam?

Sindicato:- Na opinião dos sindicatos os empresários é que são os responsaveis pela crise actual, a maioria deles não tem competencia para gerir seja lá o que for. Que os mercados financeiros foram manipulados pelos grandes investidores ninguem pode dizer o contrário, mas é nessas situações que podemos ver quem se preocupa ou não. Existem muitos que se aproveitam da chamada "crise" para despedir pessoal que foram espezinhados e explorados sem fim, ganhando salarios de miseria e chegando a trabalhar 12 a 14 horas diarias.  Existem familias sem rendimentos, marido e mulher estão desempregados, o Estado como responsavel pelos seus contribuintes o que faz? Distribui dinheiro pelos Bancos, injectando capital em Bancos já falidos (se esses "Bancos" não fossem onde "eles" escondem o dinheiro de certeza que não mexiam uma palha mas há que salvar primeiro o dinheiro dos ricos e só depois dos trabalhadores) ou a caminho da falência. É muito fácil vir dizer que o problema é da crise mundial, que os mercados financeiros não são favoraveis, que ninguem compra e não se vende, enfim há que sacudir a agua do capote.

Como Se Poderia Ultrapassar Esta Situação?

Patrão:-  Bom, não vejo assim de momento uma solução que não passe por uma melhoria da economia internacional, não somos nós que vamos conseguir alterar este estado de coisas. Passa sempre por quem é de fora, e o Estado deve acompanhar  a evolução dos mercados internacionais e criar condições para que nós possamos voltar a laborar e contratar pessoal que esta no desemprego. Existem muitos empresários que, pode não parecer, mas sentem-se constrangidos com esta situação mas que não podem fazer nada.

Sindicato:-  Sou da mesma opinião da que aqui apresentada, só não concordo com a desculpa de que não podem fazer nada. O que é feito dos milhões de euros que ganharam a custa dos trabalhadores nestes anos todos de exploração? será que já gastaram o dinheiro todo em Ferraris, Audi's, BM's? em viajens para paraisos tropicais? em produtos de alta tecnologia? em roupas e perfumes? em moradias no Algarve? ou montes no Alentejo? O Estado deveria controlar esta situação, o encerramento fraudulento de empresas, os gastos abusivos, a roubalheira que é efectuada pelo patronato explorador e escravizador.

Se A Crise Internacional Acabasse, o que faria?

Patrão:- Eu da minha parte reabriria a minha empresa. Tenho uma empresa textil que tive de fechar por falta de encomendas, não se vendia nada e o que se vendia mal dava para pagar as dividas.

Readmitiria os Antigos Trabalhadores?

Patrão:- A maioria sim, haviam muitos que tornaria a readimitir, pessoal com muita experiencia e capacidade e numa situação de relançamento da empresa seria o ideal. Contratar pessoal novo baixaria os custos mas querendo arrancar como se deve era utilizar os antigos funcionarios já conhecedores dos cantos a casa, já conhecedores das maquinas e do modo de trabalho da empresa. Claro que seriam precisos novos trabalhadores mas esses iriam entrando aos poucos.

Sindicato:- Eu pagava prá ver. Isto é mesmo conversa de patrão. Claro que não iria tornar a chamar o pessoal antigo, iria optar por abrir uma nova empresa com outro nome, outros funcionarios mais novos para poder explorar e pagar salarios de miseria. Os outros iriam continuar no fundo de desemprego até a chegada da reforma ou outro patrão explorador. Alias não iria fazer mais do que os outroa fazem, o Estado permite este tipo de situação. Fecha-se uma empresa, abre-se outra, alega-se falencia na maioria fraudulenta, pessoal prá rua e continua-se com o mesmo estilo de vida. Será que o Estado não vê que esses ditos "empresários" apesar de falidos continuam a levar uma vida desafogada, a grande e a francesa? A gastarem verdadeiras fortunas apesar de falidos? Viajens, Spas, roupas, carros novos, colégios privados, seguranças, ou será que o Estado pactua com este tipo de situação? Será por causa dos donativos para os partidos?

Não Acham que num Tempo de Crise Deveriam Unir-se num Esforço em Prol de Todos?

Patrão:- Não querendo falar pelos outros mas apenas por mim, acho que sim. São necessárias mudanças que começam pelo Estado. O Estado deve criar condições para um arranque da economia do País, ajudando as empresas no desenvolvimento dos negócios para podermos assegurar os postos de trabalho, isso implicaria uma redução do IRC, da contribuição para a Segurança Social, da taxa do IVA, na diminuição da burocracia na aquisição de empréstimos, uma redução dos impostos directos e indirectos. Se nós podemos baixar as nossas margens de lucro porque o Estado não pode baixar os seus impostos? Porque temos de continuar a pagar os combustiveis tão caros em que 60% do preço do combustivel diz respeito a impostos pagos por todos? Por todos seja patrões ou empregados, todos usam combustiveis mas o Estado leva a maior parte.

Sindicato:- Sim, é verdade o que foi dito anteriomente. o Estado deve ser o primeiro a dar o exemplo e depois obrigar o patronato a assumir as suas responsabilidades. Sem exemplos vindo de cima não adiantamos nada. Claro que o Estado deve baixar os impostos para as empresas e para os trabalhadores, sem emprego não há trabalhadores que descontem para o Estado, este não ganha nada com as empresas falidas, só tem despesas pagando os fundos de desemprego.

 

Esta foi a entrevista que escolhemos apresentar hoje, ficando para uma proxima oportunidade o debate entre o PM e a lider da Oposição.

Um bem haja a Todos e Fiquem Bem.

 

Isto é mesmo uma casadegentedoida.

 

 


sinto-me: pgr, freeport, crise

publicado por casadegentedoida às 22:31
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2 comentários:
De Zorze a 30 de Janeiro de 2009 às 23:28
Esta entrevista é muito interessante, por vários factores. Os da perspectiva de lados, por natureza, antagónicos.

Mesmo assim existem muitos pontos de concórdia entre os entrevistados. O que se realça mais, é que, qualquer um deles não sabem muito bem donde vem a crise, pois "ela" não tem rosto mas devora o rendimento das populações.

Nalgumas religiões evangélicas, principalmente, em terras de Vera Cruz é conhecido como o demónio devorador, devora a sua conta bancária.

Ficamos a aguardar com muito interesse o debate entre o P.M. e a líder da oposição.

Abraço,
Zorze


De casadegentedoida a 1 de Fevereiro de 2009 às 21:39
Os entrevistados, é natural que tenham pontos de vista semelhantes, são parentes muito chegados. Claro que mesmo esse parentesco tras as suas discordâncias mas no fundo eles acabam se entendendo.


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