Onde Tudo é Nada... E o Nada é Tudo
Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
35 HORAS

Os funcionários públicos portugueses são os que trabalham menos na União Europeia (35 horas), revela um estudo do Eurofund, divulgado pelo "Jornal de Negócios."  

 

A falta de produtividade nacional já não é novidade, mas será pelo tempo de trabalho? Segundo um estudo do Eurofund, Portugal e França têm os funcionários do Estado que trabalham menos horas por semana na União Europeia. Em 2008, estes funcionários trabalharam em média 35 horas, enquanto no resto da região a média foi de 38,3 horas semanais, mostra o estudo, citado pelo "Jornal de Negócios."

Em Portugal, o tempo de trabalho na Função Pública fixa-se em 35 horas semanais, segundo a lei, mas desde a entrada em vigor do Contrato de Trabalho em Funções Públicas há a hipótese de alargar o horário, mediante o acordo dos sindicatos e o respeito de determinados limites.

Áustria, Luxemburgo e Suécia estão entre os países onde os funcionários públicos trabalham mais, registando uma média 40 horas semanais. Por seu turno, no fim da tabela, a seguir a Portugal e França, surge a Holanda e a Itália, com 36 horas por semana.

(Fonte: Expresso 29/07/2009)

 

Foi com grande admiração que ouvi a primeira vez esta notícia, na rádio. Será que estava ouvindo bem? Até aumentei o volume para ouvir melhor e desatei as gargalhadas. 

Como é que eles chegaram a essas conclusões? É um mistério.

Depois comecei a indagar: como é que calcularam as 35 horas?

Devem ter feito, se calhar, assim: 5 dias vezes 7 horas por dia=35horas.

Então eles não almoçam? (conta como trabalho); aqueles 15 min. de manhã p/ o café? aqueles 15 min. à tarde p/ o café? as idas a casa de banho para retocar a maquilhagem ou coçar os tomates? (tambem contam como trabalho).

Será que as idas ao Banco para tratar de assuntos pessoais tambem contam como trabalho? Será que a ida ao mercado municipal comprar fruta ou peixe ou hotaliças, dvd's piratas tambem contam? Será que levar os putos a natação, ou a ginástica ou ao futebol tambem conta como trabalho?

Será que as idas ao massagista (aos pares) tambem conta como trabalho?  

O chegar tarde porque a queca da manhã demorou mais que o previsto tambem conta?

Voces devem estar a pensar: "Este gajo tá a inventar".

Não meus amigos, não estou não, é a dura realidade da vida dum funcionário publico.

Noutro dia, durante uma conversa com a "D. Emilia" (que se queixava de ter muito trabalho) mandei-lhe a indirecta dela andar as compras no Pingo Doce durante a parte da manhã. Sabem qual foi a resposta dela: "Parvo é aquele que não aproveita a vinda a rua para tratar dos seus assuntos pessoais". "A hora de saída é sagrada e é para ir para casa tratar da família". Ora toma!

Pelos vistos os senhores do Eurofund não andam a fazer bem as contas, esqueceram-se de dizer que são poucos os que cumprem as 35 horas de trabalho, para o resto são 35 horas virtuais, pois virtualmente não as cumprem todas.

São poucos os que ficam depois da hora para recuperar serviço atrasado ou acabar o serviço que receberam durante o dia.

Como podemos querer que isto vá para a frente? que os tribunais despachem os processos? que não haja filas nas repartições ou nos bancos?

Com este tipo de mentalidades, com este tipo de atitudes é dificil que os funcionarios puiblicos sejam reconhecidos como pessoas capazes e produtivas.

Assim para que não haja trabalho em atraso para eles resolvi ajuda-los. Entrego o meu IRS pela internet; pago o antigo selo do carro pela internet, pago agua e luz, seguro automovel, tv cabo por debito directo, corto o mato ao lado da minha casa (o terreno até nem é meu), marco consultas para o centro de saude pela internet, não coloco processsos a ninguem para não entupir os tribunais (50% dos processos que lá andam é tudo parvoices), enfim quanto menos lido com eles, melhor. Para Todos.

Fiquem Bem e Abraços.

Isto é mesmo uma casadegentedoida.  


sinto-me:

publicado por casadegentedoida às 23:06
link do post | favorito

De Zorze a 5 de Agosto de 2009 às 22:41
A Ana, tá zangada, puxa! Defende a sua dama.
E tem razão no que diz e sabendo que ela sabe que isto funciona mal, por isso não entendeu o espírito do post, que focava um estudo que visava apenas os funcionários públicos.
Todos nós sabemos que há excelentes funcionários públicos que mais do que as horas de trabalho se dedicam de corpo e alma à causa pública.
E a Ana é um exemplo disso. Se mais Anas como a que conheço houvesse neste País, Portugal decerto estaria muito melhor.

Agora a ideia que o post me transmite é a realidade deste País de merda, de um povo mesquinho e hipócrita, mal educado e de pouca formação. Conformado e que pouco se esforça para adquirir formação.
A questão das horas de trabalho em Portugal é um assunto tabu. Existem aqueles que com baixa escolaridade ou os que não tiveram a sorte de arranjar um "emprego" tem que se sujeitar ao patrãozinho português e trabalham quase como escravos. Os que tiveram a sorte de arranjar um "emprego" são os melhores especialistas em dizer que trabalham muitas horas.
Andam durante o dia para um lado e para o outro. E no final do dia tudo espremido é quase igual a zero.

As pessoas perguntam-se porque é que Portugal é apontado como um dos países mais pobres da Europa?
E todos ficam espantados. Porque será? Espantam-se os inocentes.
Eu diria que bastava olharem-se ao espelho.
A juntar uma classe política incompetente, um empresariado fraco a nível de conhecimentos de gestão organizacional e um povinho meio estúpido que mal sabe falar, que não consegue interpretar o que vê na televisão e o que lê nos jornais, aí está a resposta porque seremos sempre a cauda da europa.
Enganar o fisco é esperteza e motivo de orgulho.
Trabalhar tá quieto.
Socialmente entre si vigarizam-se uns outros, dentro da família ainda pior.
Educação para esta gente é dizer Bom-Dia antes do meio-dia, não dizer asneiras ou pôr os talheres do mesmo lado quando acabam de comer.

Espetar uns borrachos no focinho da mulher já é normal.
Quando estão dentro de um carro, passam a ser corajosos e vociferam contra tudo e todos.
Mães que deitam os bébés no caixote do lixo (gostaria de ver este índice de vergonha num contexto europeu).
Reclamam por tudo e por nada, esquecem-se sempre dos seus deveres.

O mais grave disto, é que isto é a maioria.
Povo de brandos costumes? Ainda há quem acredite no Pai Natal.

Abraço,
Zorze


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